quinta-feira, 10 de julho de 2025

Vivendo com Pressa: A Ansiedade de um Tempo Acelerado



Outro dia me peguei lembrando de como era assistir televisão antigamente. Eu me sentava no sofá, e quando começava o intervalo, aproveitava pra ir ao banheiro, pegar um biscoito, beber uma água. E sabe o mais curioso? Ninguém reclamava. Em alguns momentos, eu até gostava dos comerciais. Era o tempo das coisas fluindo naturalmente, sem ansiedade. Tinha propaganda que durava cinco minutos — e tudo bem.


Hoje, não consigo mais esperar 15 segundos antes de um vídeo no YouTube. Pulo assim que posso. Fico impaciente. Maratono uma série inteira em um único fim de semana, sendo que, anos atrás, ela levaria meses pra terminar na TV aberta. Parece que perdi a capacidade de esperar. E, olhando em volta, percebo que não estou sozinho.


Vivemos num ritmo tão acelerado que mal damos conta de onde estamos. Tudo precisa ser agora. Tudo precisa acontecer pra ontem. Mas nessa correria, me pego pensando: será que não estamos passando pela vida sem realmente vivê-la?


Quantas vezes eu já acordei correndo, trabalhei no automático, deixei de olhar nos olhos das pessoas por estar sempre com pressa? E pior: quantas vezes discuti por bobagens, guardei mágoas pequenas como se fossem grandes, me afastei de quem amo por orgulho ou por falta de tempo?


A verdade é que a vida não espera. Ela é breve — e frágil. E, por mais clichê que pareça, é real: aquela pessoa que a gente ama pode simplesmente não estar mais aqui amanhã. E aí? Valeu a pena a briga? Valeu a pena virar o rosto? Valeu guardar aquele “eu te amo” só pra depois?


Sinto que, nessa pressa de viver, estamos nos aproximando do fim como se ele fosse um troféu. Mas o fim — todos sabemos — é o mesmo pra todos nós. E ele chega, cedo ou tarde. O que vai fazer diferença é o caminho. É o intervalo. É o que a gente faz entre o ponto de partida e a linha de chegada.


Por isso, venho tentando — com muito esforço, confesso — resgatar o valor dos intervalos. O silêncio entre uma música e outra. A pausa entre um episódio e outro. A conversa sem distração. O observar a paisagem. O filho brincando. O café compartilhado sem pressa. O perdão dito sem orgulho (esse é o mais difícil). A vida vivida sem aceleração.


Porque viver correndo, no fundo, é morrer aos poucos… sem perceber.


 

quarta-feira, 9 de julho de 2025

A importância da eleição do novo diretório nacional do PT para os próximos anos


No último domingo, aconteceu o processo de eleição do novo diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que definiu Edinho Silva como o novo presidente da sigla. Independentemente de preferências partidárias, é importante reconhecer que essa escolha tem implicações significativas para o cenário político brasileiro, especialmente no que diz respeito às próximas eleições municipais e, mais adiante, à corrida presidencial de 2026.

O PT é uma das maiores forças políticas do país. Seja na situação ou na oposição, influencia diretamente o debate público, as políticas sociais, econômicas e institucionais. Por isso, entender quem comanda o partido – e com qual linha política – ajuda a prever em que direção ele pretende caminhar.

A escolha de Edinho Silva, que tem histórico de gestão pública e experiência em articulação política, pode representar uma tentativa de fortalecer a organização interna do partido e alinhar estratégias mais pragmáticas de atuação. Isso é relevante em um momento em que os partidos tradicionais enfrentam desafios para se conectar com uma sociedade cada vez mais fragmentada e exigente.

Também vejo essa eleição como um termômetro do que se passa nas bases do partido. O processo interno mobilizou militantes, dirigentes estaduais e lideranças locais, e mostrou que o PT ainda busca formas de se reorganizar e se preparar para os embates eleitorais que virão. A direção eleita terá a missão de conduzir essa preparação, definir prioridades, construir alianças e renovar o diálogo com os diversos setores da sociedade.

É cedo para prever os impactos concretos dessa eleição, mas não dá para ignorar sua importância. A definição do novo comando do PT aponta caminhos, revela intenções e pode, sim, influenciar o rumo de disputas futuras — seja nos municípios, seja no cenário nacional em 2026.

Por hora, em Resende a chapa vencedora foi "Unidade e Transformação" e teve Cloves Alves (foto abaixo) eleito presidente com 107 votos. Parece um novo tempo para o PT em Resende.

Como observador da política, sigo atento. Essas movimentações internas, que muitas vezes passam despercebidas pela maioria, costumam dizer muito sobre o que está por vir.



terça-feira, 8 de julho de 2025

Força Municipal: Um novo caminho para a segurança nas ruas


Nos últimos quatros anos estive trabalhando na capital fluminense e tenho acompanhado com atenção a criação da Força Municipal de Segurança no Rio de Janeiro. Trata-se de uma iniciativa corajosa e necessária do prefeito Eduardo Paes (PSD). Em meio a tantos desafios que enfrentamos na área da segurança pública, ver o município assumir um papel mais direto no combate à criminalidade é algo que precisa ser debatido e, acima de tudo, valorizado.

Diferente da tradicional Guarda Municipal, que tem um papel fundamental na proteção dos bens públicos e na organização urbana, a Força Municipal surge como uma tropa de elite dentro da estrutura da guarda. Uma equipe treinada, armada, equipada com tecnologia e, sobretudo, preparada para atuar onde o crime afeta diretamente o cidadão comum: nos transportes, nas praças, nas escolas, nos pontos turísticos, nas regiões comerciais. Lembrando que ela não vai enfrentar o crime organizado, mas sim, combater o crime nas ruas, como roubo de celular, assalto a pedestres, etc. Essa força também não atenderá pelo 190 e só irá pra rua com uma missão definida para cada dia e em locais estratégicos.

O objetivo não é militarizar, nem sobrepor o trabalho da Polícia Militar ou da Civil. Pelo contrário: é fortalecer o elo entre o município e a segurança pública, oferecendo resposta rápida, atuação preventiva e presença constante. Tudo isso com transparência, câmeras corporais, treinamento de excelência e foco total em proteger quem mais precisa.

Esse modelo, que começa a ser implantado na capital, pode – e deve – ser visto como uma referência para outras cidades, inclusive as do interior. Muitas vezes, nas cidades menores, sentimos a ausência do Estado na segurança. Delegacias com estrutura precária, efetivo da PM reduzido, viaturas insuficientes e uma população que vive refém do medo, seja no campo ou na cidade.

Por que não adaptar essa ideia?

Claro que cada realidade exige um formato diferente, mas imaginem se nossas cidades pudessem criar grupos municipais de segurança preventiva, com guardas bem treinados, armamento legal e controle rígido. Esses agentes poderiam atuar de forma integrada com as polícias, oferecendo apoio nas áreas de maior vulnerabilidade, reforçando o patrulhamento escolar, protegendo áreas rurais e comerciais.

Além disso, a presença de uma guarda armada e qualificada pode ajudar a liberar as forças estaduais para ações mais complexas, enquanto o município cuida da ponta, da base, da rua. É ali que o cidadão precisa de ajuda. É ali que nasce a confiança no poder público.

Se queremos uma segurança pública eficiente, precisamos reconhecer que ela não é dever apenas do governo estadual ou federal. O município pode – e deve – fazer mais. O exemplo do Rio mostra que é possível inovar, assumir responsabilidades e colocar o cidadão no centro da política pública.

Quem vive nos bairros sabe onde o crime age. Quem está no interior conhece os pontos vulneráveis da cidade. O que falta, muitas vezes, é estrutura, ousadia e vontade política.

Fica aqui meu respeito a essa iniciativa e o desejo de que ela possa inspirar outras regiões. Porque segurança de verdade começa com presença, prevenção e proximidade. E o município pode ser o protagonista dessa transformação.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Ritton deve entrar na disputa estadual: "Não volto atrás"

Sandro Ritton, atual presidente da Câmara de Resende, caminha para se consolidar como um dos nomes mais cotados da cidade para disputar uma vaga na Alerj em 2026. Com dois mandatos bem avaliados como vereador e no terceiro com uma presidência marcada por estabilidade política e articulação institucional, Ritton ganhou musculatura dentro do cenário municipal. Mas o que realmente acendeu o sinal verde para seu projeto estadual foi o alinhamento — cada vez mais visível — com o atual governo municipal e com o ex-prefeito Diogo Balieiro Diniz, que deve disputar uma vaga como deputado federal.

Ritton representa o perfil técnico-político: um empresário que não se furta ao diálogo e que tem buscado manter a Câmara funcionando sem atritos desnecessários com o Executivo. Sob seu comando, o Legislativo deu visibilidade a pautas importantes, como a valorização dos servidores aposentados e o incentivo à cultura — sinalizações de que sabe como construir capital político com base em entregas sociais. Além disso, carrega o peso simbólico de administrar o legado do pai, o saudoso ex-vereador Bira Ritton, respeitado em Resende por sua trajetória de trabalho e firmeza.

Com uma base eleitoral já consolidada e o apoio de parte expressiva dos vereadores da cidade, Sandro se fortalece como um nome viável para alçar voos mais altos. No entanto, a palavra final sobre sua candidatura deve vir de Diogo Balieiro — uma figura que, mesmo fora do cargo, segue com influência decisiva sobre os rumos políticos da base governista. Segundo fontes, foi o próprio Diogo quem alimentou a ideia da pré-candidatura de Sandro. E, segundo o próprio Sandro, ele não voltará atrás, pois "não tem nada a perder".

Contudo, há um obstáculo interno que não pode ser ignorado: o atual vice-prefeito de Resende, Davi do Esporte, também mira uma vaga na Assembleia Legislativa. Carismático e presente nas comunidades, Davi tenta se posicionar como o nome mais popular do grupo, apoiado no trabalho social e esportivo que desenvolve há anos. Enquanto Ritton representa o equilíbrio, a institucionalidade e a interlocução entre os poderes, Davi aposta no apelo direto ao povo, na simplicidade do discurso e na força do corpo a corpo.

A questão é que, internamente, Davi enfrenta resistência de alguns aliados, que dizem não querer abrir mão do cargo de vice-prefeito — especialmente após Resende ter perdido seu deputado estadual para ganhar um prefeito, Tande Vieira. “Perdemos um deputado para ganhar um prefeito; agora corremos o risco de perder um vice-prefeito. Acho que o grupo pode se fortalecer mantendo os cargos, e não abrindo mão deles”, afirmou um integrante do governo que pediu para não ser identificado.

Essa dualidade — o institucional versus o popular — pode provocar uma divisão na base aliada. E aí entra o papel estratégico de Diogo, que terá que arbitrar esse embate e escolher qual nome estará apto a carregar sua bandeira estadual, enquanto ele próprio busca espaço na Câmara Federal.

Uma pesquisa informal (sem metodologia técnica) realizada em um perfil político no Instagram mostrou Sandro empatado com Renan Marassi, ex-candidato a prefeito e também possível candidato a deputado estadual. Já Davi apareceu em terceiro na preferência dos seguidores da página.

No fim das contas, a possível candidatura de Sandro Ritton é forte e bem estruturada, mas não está livre de desafios. Se terá ou não o endosso definitivo de Diogo, ainda veremos. O que é certo é que Resende está prestes a assistir a uma disputa interna que poderá redesenhar não só a representação da cidade na Alerj, mas o próprio futuro político do grupo que governa a cidade há quase uma década.



domingo, 6 de julho de 2025

O papel do vereador e o preço da omissão


Sempre que se fala em política, muita gente lembra logo do presidente, do governador, do prefeito… mas quase nunca se fala do vereador. E olha que o vereador é a autoridade mais próxima da população, aquela que deveria estar ali, no dia a dia, ouvindo, fiscalizando, propondo melhorias e defendendo os interesses do povo. Mas infelizmente, em muitas cidades da região das Agulhas Negras, o que mais vemos são vereadores que se escondem do seu papel.

O vereador não está na Câmara só pra dar nome a rua ou fazer moção de aplausos. Ele é eleito pra legislar, fiscalizar o Executivo e lutar pelas necessidades da população. É ele que pode cobrar melhorias no posto de saúde que está caindo aos pedaços, no ônibus escolar que não chega na zona rural, no asfalto que nunca vem. Mas quando o vereador se omite, quem paga a conta é a cidade inteira.

Veja Resende, por exemplo. Há bairros como Lavapés, Vicentina e Alegria que sofrem há anos com problemas básicos: esgoto a céu aberto, falta de iluminação pública decente e ruas com lixo e entulhos. E onde estão os vereadores eleitos por essas comunidades? Onde está a cobrança firme na tribuna, a visita técnica, a denúncia ao Ministério Público, o pedido de providências ao Executivo?

Em Itatiaia, outro caso: o escândalo de corrupção na história recente envolvendo o alto escalão da prefeitura chocou o Estado, e poucos foram os vereadores que levantaram a voz. Muitos se calaram, preferindo manter seus acordos políticos ao invés de defender a moralidade pública. Resultado? População revoltada, cidade paralisada, e a desconfiança geral nas instituições.

Na pequena cidade de Quatis, as demandas da zona rural, como estradas precárias e transporte escolar, continuam sem solução. E por que isso não avança? Porque muitos vereadores ainda confundem o mandato com um favor pessoal, e não com um dever público.

E o mais triste é ver que esses mesmos vereadores que se calam durante quatro anos aparecem sorridentes na eleição, pedindo mais um voto de confiança. Usam palavras bonitas, promessas recicladas, e somem de novo. A população precisa começar a lembrar: vereador que some depois de eleito, tem que continuar sumido na próxima eleição — nas urnas.

Não dá mais pra aceitar o vereador que só aparece na sessão, bate ponto, faz selfie e vai embora. Não dá mais pra aceitar o “vereador de gabinete”, que só atende por telefone e evita o povo. A cidade sangra quando o vereador não cumpre seu papel. E o povo paga essa conta com ruas esburacadas, escolas abandonadas, hospitais lotados e direitos esquecidos.

Está na hora de mudar essa lógica. Está na hora de cobrar. Está na hora de lembrar que vereador não é figurante, é protagonista. E se não quiser atuar, que dê lugar a quem tem coragem de ser voz do povo de verdade.

sábado, 5 de julho de 2025

O jogo já começou: Washington Reis, Paes e os caminhos para 2026


Nos bastidores da política fluminense, nada é por acaso — e a recente exoneração de Washington Reis pelo governador interino Rodrigo Bacellar foi apenas mais uma peça mexida num tabuleiro muito maior: a eleição de 2026.

A verdade é que Reis não está fora do jogo. Pelo contrário, está se movimentando com força, inclusive nos bastidores do Judiciário. Ele articula com seus aliados uma reviravolta na justiça para tentar derrubar sua inelegibilidade, que decorre de uma condenação por crime ambiental. A estratégia jurídica passa por um pedido de revisão no STF, buscando rediscutir os efeitos da Lei da Ficha Limpa no seu caso. Fontes dizem que há conversas com membros do judiciário e um esforço para construir um entendimento favorável. Ou seja: Reis quer ser candidato em 2026 — e está disposto a tudo para isso.

E ele não está sozinho. Eduardo Paes tem feito gestos claros de aproximação. A aliança entre Paes e Reis pode parecer improvável à primeira vista, mas, na real, é estratégica. Ambos têm interesse em enfraquecer a dobradinha Castro-Bacellar, que hoje domina o Palácio Guanabara. Paes, que já rompeu com Castro e tem ambições nacionais dentro do PSD, vê em Reis um possível aliado para ampliar sua força no estado e reconfigurar o mapa político do Rio.

Enquanto isso, Bacellar, ainda digerindo a repercussão da exoneração, tenta se firmar como nome competitivo para 2026, se colocando como uma espécie de "anti-Castro" — mesmo tendo sido eleito ao lado dele. Sua postura durante o breve período como governador interino deixou claro que ele quer mais que a cadeira de presidente da Alerj. Ele quer poder, e quer ser o próximo a sentar no Palácio.

A confusão que se armou após a exoneração de Reis revelou algo maior: o campo da direita no Rio está dividido. De um lado, Bacellar e Castro buscando manter o domínio que conquistaram. Do outro, um Washington Reis que, mesmo inelegível, não aceita ser descartado — e que já ensaia uma reaproximação com a esquerda moderada e até com o presidente Lula, o que tem feito circular nos bastidores a expressão “BolsoLula”.

Se ele vai conseguir se viabilizar juridicamente, ainda não sabemos. Mas uma coisa é certa: subestimar Washington Reis é um erro. Ele tem base, tem aliados, conhece os caminhos da política fluminense e não engole desaforo calado. Disse com todas as letras que a assinatura de Bacellar “não vale nada” e deixou no ar que sua demissão foi um ato pessoal, não institucional.

Com o retorno de Cláudio Castro ao governo, fica a dúvida: o governador vai reconduzir Reis ao cargo ou vai deixar tudo como está para não se indispor com Bacellar?

Enquanto isso, os bastidores seguem fervendo. E como sempre digo: no Rio, a política nunca dorme — ela apenas cochila de olho aberto.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Exoneração de Washington Reis escancara racha no governo e pode mudar o rumo das eleições de 2026 no RJ

Confesso que fiquei surpreso com a exoneração do Washington Reis da Secretaria de Transportes. A canetada veio de Rodrigo Bacellar, durante a ausência do governador Cláudio Castro, e caiu como uma bomba no cenário político do Rio. E vamos combinar: isso não foi uma simples troca de cargo. Foi uma jogada de xadrez — ou talvez de pôquer — onde Bacellar apostou alto demais, e pode ter perdido o jogo antes mesmo de se lançar candidato a qualquer coisa.

Washington Reis não é qualquer um. É ex-prefeito de Duque de Caxias, tem base forte na Baixada, articulação nacional e estava se movimentando com ambições claras para 2026 — seja para o Senado ou até para o governo do Estado. Tinha apoio de gente graúda: Eduardo Paes, setores do MDB, e até proximidade com os Bolsonaros. E Bacellar sabia disso. Sabia e viu nele uma ameaça direta ao seu projeto de poder.

O problema é que, ao exonerar Reis nesse momento, sem diálogo com o governador titular e em pleno exercício interino, Bacellar comprou uma briga que talvez não consiga sustentar. A impressão que fica é a de que ele quis mostrar força, mas acabou passando a imagem de alguém impulsivo, que atropela aliados e joga contra o próprio grupo. Cortar a cabeça do secretário de Castro, sem sequer esperar o governador voltar da viagem oficial, não foi só desrespeitoso: foi politicamente desastroso.

E eu pergunto: será mesmo que Cláudio Castro foi pego de surpresa? Ou isso já era uma movimentação combinada nos bastidores? Porque se o governador não sabia — como parece —, Bacellar escancarou um racha interno que vai dar dor de cabeça para muita gente. E se Castro já sabia, pior ainda: significa que o jogo político fluminense está se movendo muito antes da largada oficial das eleições.

O que dá pra dizer com certeza é que Washington Reis não vai deixar barato. Ele já enfrentou coisa pior. Está tentando reverter a inelegibilidade no STF e, se conseguir, pode voltar com mais força ainda. Essa exoneração, ao invés de enterrá-lo, pode ter sido justamente o combustível que faltava pra sua pré-campanha decolar.

No fim das contas, Bacellar pode ter errado feio. Porque quando se corta um aliado no escuro, corre-se o risco de acender um incêndio. E ao que tudo indica, esse fogo vai queimar até 2026.



quinta-feira, 3 de julho de 2025

Quando a pressa vira agressão

Não assisti ao jornal. Vi o vídeo circulando nas redes sociais, como tantas outras cenas que viralizam no nosso dia a dia digital. Mas confesso que fiquei desconcertado com o que vi: um repórter da Band, Lucas Martins, empurrando a repórter Grace Abdou, da Record, durante uma cobertura ao vivo sobre o desaparecimento de duas adolescentes em São Paulo.

O gesto, por si só, já seria grave em qualquer contexto. Mas ali, diante das câmeras, em plena transmissão, com milhões de pessoas acompanhando, a situação se torna ainda mais simbólica. Um homem empurra uma mulher — colega de profissão — apenas para conseguir falar com uma testemunha primeiro. Tudo isso em nome da notícia.

Mas que notícia é essa que precisa ser conquistada à força? Desde quando o “dar primeiro” virou mais importante do que o “dar com responsabilidade”? O episódio me fez pensar no quanto a lógica da visibilidade tem distorcido a essência do jornalismo.

Não é mais só sobre informar. É sobre entregar emoção, impacto, exclusividade — mesmo que isso custe a ética, o respeito ou, como vimos, o bom senso. Nessa corrida desenfreada por atenção, a verdade parece muitas vezes perder espaço para o espetáculo. E quando isso acontece, a notícia deixa de ser um serviço para se tornar um produto. E dos mais perigosos.

Lucas Martins se retratou depois, em rede nacional. Pediu desculpas, reconheceu o erro. E é justo que o arrependimento seja ouvido. Mas também é justo dizer que um pedido de desculpas não apaga o que aconteceu. Ele empurrou uma mulher. Ele rompeu um limite que jamais deveria ser ultrapassado — o do respeito humano. E isso precisa ser levado a sério.

Eu sou — e sempre serei — defensor do bom jornalismo. A informação é vital para uma sociedade justa e consciente. Mas ela precisa ser feita com ética. Com calma. Com empatia. A notícia precisa ser dada, sim. Mas nunca às custas da dignidade de alguém. Nunca atropelando quem está ao lado.

Ver esse tipo de cena viralizando me deixa inquieto. Porque ela revela uma lógica cada vez mais comum: a do “vale tudo” por likes, por audiência, por relevância nas redes. O jornalismo não pode se deixar contaminar por essa pressa tóxica. Porque informar não é competir. É servir.

Que esse episódio sirva, no mínimo, como um alerta. Para quem faz jornalismo e para quem consome. O público merece mais do que barracos ao vivo. Merece verdade, equilíbrio, respeito e sensibilidade. A notícia tem poder — e com poder, sempre vem responsabilidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Três Rios terá nova eleição para prefeito

Foto: Divulgação

Nos últimos dias, Três Rios voltou às manchetes – infelizmente, por um motivo que nenhum cidadão gostaria de ver associado à sua cidade: a cassação do mandato do prefeito reeleito Joacir Barbaglio, o Joa. Depois de ter sido eleito com mais de 60% dos votos, Joa foi afastado do cargo por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após a revogação de uma liminar que lhe permitia exercer o mandato mesmo tendo sua candidatura indeferida por contas rejeitadas. Joa teve as contas de quando foi presidente da Câmara Municipal de Três Rios reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, em 2019.

O que mais me incomoda nessa história toda é o quanto a cidade perde. Não estou aqui para entrar no mérito da condenação, que foi baseada na Lei da Ficha Limpa e nas regras que todos os candidatos conhecem muito bem. Minha reflexão é sobre os danos que essa instabilidade causa à cidade e à vida de quem mora nela.

Imagine o seguinte: uma cidade elege um prefeito com maioria expressiva. Ele toma posse, começa a montar sua equipe, apresenta projetos, toma decisões – e, de repente, é afastado. Tudo para. Tudo volta à estaca zero. A população, que já sofre com os problemas do dia a dia, agora assiste à política local virar um palco de incertezas.

A pergunta que fica é: por que esse processo não foi concluído antes da eleição ou, pelo menos, antes da diplomação? Se a candidatura de Joa estava sub judice, por que o julgamento definitivo não foi antecipado? Ao permitir que ele fosse diplomado e empossado com uma liminar provisória, o sistema eleitoral criou uma ilusão de estabilidade. E quem paga essa conta é o povo.

Agora, Três Rios terá que arcar com os custos de uma nova eleição – gastos com estrutura, pessoal, segurança, logística e todo o processo eleitoral. Além disso, a cidade perde tempo precioso. Tempo de gestão. Tempo de planejamento. Tempo de execução de políticas públicas.

Enquanto isso, quem assume a prefeitura é Jonas Dico, presidente da Câmara Municipal, em um governo interino. Ele tem a missão difícil de manter os serviços funcionando, dar continuidade a projetos e manter a cidade minimamente estável até que novas eleições sejam convocadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

Não é apenas uma questão jurídica, é uma questão de responsabilidade com a cidade. Três Rios não pode ser cenário de incertezas políticas a cada ciclo eleitoral. Precisamos de mais celeridade da Justiça Eleitoral, de mais rigor na análise das candidaturas antes do pleito e, acima de tudo, de mais compromisso dos nossos representantes com a ética e a legalidade.

A democracia é o melhor caminho, mas precisa ser mais eficiente. Não podemos continuar tratando com naturalidade o fato de um prefeito ser eleito, tomar posse e depois ser afastado meses depois. A cidade perde. A população perde. Todos perdemos.

terça-feira, 1 de julho de 2025

O Lula de hoje, a imagem do Brasil lá fora e a conta que está chegando

 


Por muito tempo, o presidente Lula foi retratado como uma figura carismática que atraiu atenção global. Mas, hoje, o cenário é outro — e o contraste entre o que ele representa dentro e fora do Brasil é cada vez mais evidente. No terceiro mandato, Lula não apenas enfrenta um país mais complexo, como também toma decisões que colocam em xeque a estabilidade econômica e a credibilidade internacional do Brasil.

No exterior, o presidente ainda busca se firmar como um líder do Sul Global, tentando se posicionar entre potências como China, Estados Unidos e Rússia. Participações em cúpulas como o G20, os BRICS e sua futura liderança na COP30 são exemplos desse esforço diplomático. No entanto, a imagem que ele tenta projetar colide com declarações polêmicas e alianças contraditórias. A aproximação com regimes autoritários, o silêncio seletivo diante de crises de direitos humanos e comparações infelizes — como a feita entre a guerra em Gaza e o Holocausto — acenderam alertas na Europa, em Israel, e até entre aliados históricos.

Essas posições não são apenas questões de política externa. Elas afetam diretamente a forma como o Brasil é percebido como parceiro comercial, destino de investimentos e ator confiável nas negociações multilaterais. O desgaste é real.

Internamente, o cenário também preocupa. O governo tem elevado os gastos públicos a patamares arriscados, sem apresentar contrapartidas sustentáveis. A promessa de responsabilidade fiscal feita no início do mandato não se concretizou. Ao contrário, o que se vê é um aumento das despesas correntes, ampliação da máquina estatal e uma série de pacotes que buscam arrecadar mais sem cortar na própria carne.

O Congresso tem reagido, como vimos recentemente na derrubada de medidas que visavam ampliar impostos sobre transações financeiras. A falta de articulação política e a dificuldade de lidar com um Legislativo cada vez mais autônomo indicam uma perda de força institucional, que compromete a governabilidade.

A economia, por sua vez, sente os efeitos desse desequilíbrio. A confiança do investidor sofre, os juros permanecem altos, e o crescimento continua tímido. O Brasil parece caminhar em círculos — com muito discurso, mas pouca entrega.

O fato é que o Lula de 2025 não representa renovação nem estabilidade. Sua condução, tanto no campo econômico quanto político, tem ampliado incertezas e criado fissuras no ambiente institucional e internacional do país.

Não se trata aqui de torcida contra. Trata-se de análise de fatos. O Brasil precisa urgentemente de mais responsabilidade, mais foco em resultados concretos e menos personalismo ideológico. O tempo passa, e a conta — como sempre — chega para o povo.